TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo)

Introdução

Quem não tem suas “manias”? Aqueles comportamentos únicos de cada um, como guardar coisas de um determinado jeito, incomodar com quadros fora do lugar ou, ainda, quando sente aquela “inquietação” com algo que está sujo.

“TOC” já virou uma expressão comum e muita gente diz ter TOC (sigla para Transtorno Obsessivo-Compulsivo) quando tem alguma mania do tipo verificar várias vezes se trancou o portão ou ajeitar quadros tortos.  Sempre que alguém é organizado, que gosta das coisas “limpas” ou que checa algumas vezes se desligou o gás ou fechou a porta de casa, é comumente julgada como portador dessa doença.

Mas, como saber o limite em que essas manias extrapolam e começam a nos atrapalhar?

O que são Obsessões e Compulsões?

Obsessão é um PENSAMENTO

É um pensamento que “invade” a mente, sem que consiga freá-lo. É um pensamento involuntário egodistônico, ou seja, o paciente não concorda com aquela idéia e que causa muito incômodo e ansiedade na pessoa. É comum todos terem um pensamento obsessivo em algum momento da vida. Um trecho de uma música, que permanece vindo à mente involuntariamente, ou imagem de algum fato desconfortante, que vem em flashes na cabeça. O que difere do TOC é a intensidade, a frequência e a duração desses pensamentos, sem contar o grau de sofrimento que eles causam.

A COMPULSÃO está ligada a um comportamento

É algo que “precisamos” fazer para aliviar um pensamento ou uma sensação ruim. A pessoa tenta controlar a ação, mas é muito difícil e acaba cedendo. Da mesma forma, isso também faz parte do cotidiano. Comer um doce, comprar um vestido, arrumar algo que está bagunçado. Todas essas ações podem ter um caráter compulsivo em alguns momentos.

Em alguns momentos, a pessoa pode não ter pensamento ou nenhuma ideia obsessiva, mas sente a necessidade de realizar tal comportamento de forma compulsiva. “Eu não sei por que preciso checar a porta, não tenho nenhum pensamento ou medo, mas tenho que verificar várias vezes até me sentir seguro”.

Tais comportamentos passam a ser patológicos dependendo novamente da intensidade, da frequência e da duração do ato, além do grau de sofrimento que tais atos causam no paciente.

Quando suspeitar que possa haver um quadro de TOC?

Para diagnosticar um TOC, a pessoa precisa ter Obsessões E/OU Compulsões e observar 3 elementos abaixo:

  • Tempo: A pessoa fica mais de 1 hora por dia imerso em Obsessões ou realizando Compulsões;
  • Sofrimento: A pessoa sofre muito com os pensamentos ou com as ações que realiza, achando-os “sem sentido”, mas não conseguindo evitar;
  • Prejuízo: profissional, social, em relacionamentos ou em outras áreas importantes da vida devido aos sintomas (os sintomas do TOC começam a “atrapalhar” a rotina, evitando que a pessoa faça coisas importantes ou fazendo com que ela demore muito nesse processo).

De que formas o TOC pode se manifestar?

O TOC pode se apresentar somente com OBSESSÕES, somente com COMPULSÕES ou com as duas sintomatologias associadas. Os temas das obsessões ou compulsões podem ser variados, a depender de cada pessoa. Existem alguns temas mais comuns, em torno do qual os indivíduos com TOC tendem a desenvolver mais pensamentos e comportamentos:

  • Receio de CONTAMINAÇÃO e necessidade de LAVAGEM repetitiva;
  • Necessidade de ORDEM ou SIMETRIA;
  • ACUMULAÇÃO de objetos, com dificuldade de desfazer deles;
  • Pensamentos de VERIFICAÇÃO, RELIGIÃO ou com conteúdos SEXUAIS.

Ao vivenciar os pensamentos obsessivos ou tentar controlar as compulsões, os indivíduos com TOC podem ter muitos sintomas ansiosos, incluindo sintomas físicos como palpitações, sudorese, sensação de sufocamento, até mesmo o desencadeamento de crises de pânico. Também, em pessoas com compulsões em relação à limpeza, é comum lavagem de mãos e do corpo várias vezes, podendo levar a fissuras, alergias e lesões dermatológicas graves.

Tratamento do TOC

Medicamento

O tratamento medicamentoso se divide em 3 categorias:

  1. Tratamento da ansiedade: As medicações serotoninérgicas visam diminuir a ansiedade gerada pelas obsessões e compulsões, e são medicamentos de primeira linha. Elas também controlam indiretamente os sintomas obsessivos e em doses maiores a compulsão.
  2. Tratamento do pensamento obsessivo: Quando os pensamentos obsessivos tangem a psicose, ou seja, são tão intensos que o paciente acaba acreditando na ideia, podem-se administrar medicamentos antipsicóticos para banir esses pensamentos.
  3. Tratamento da Compulsão: Outra medicação que é bastante utilizado no ato compulsivo é o Topiramato e outros anticonvulsivantes, que ajudam a brecar a repetição do ritual.

Psicoterapia

O tipo de terapia mais eficaz para o TOC é a chamada Terapia Cognitivo Comportamental. De forma simples o objetivo da terapia é ajudar a pessoa com TOC a tentar não lutar contra os pensamentos ou contra as sensações ruins, deixá-los vir, sem tentar evitar. Juntamente com isso, evitar, sim, ao máximo, fazer os comportamentos ou compulsões para aliviar essas sensações ruins.

Dicas para familiares e pacientes com TOC

  1. Tente ir abandonando, aos poucos, a idéia de controlar os pensamentos e a vontade de fazer as compulsões. O objetivo é, aos poucos, focalizarmos nossos esforços em deixar os pensamentos e desejos irem e virem e evitar agir para aliviá-los. Apesar de ser muito difícil no início, cada vez que você conseguir não fazer o ritual ou ação compulsiva você estará “diminuindo a força “do TOC no seu cérebro!
  2. Crianças podem obedecer a certos rituais, o que é absolutamente normal. No entanto, deve chamar a atenção dos pais a intensidade e a frequência desses episódios. O limite entre normalidade e TOC é muito tênue;
  3. Os pais e familiares não devem colaborar com a perpetuação das manias e rituais dos filhos. Devem ajudá-los a enfrentar os pensamentos obsessivos e a lidar com a compulsão que alivia a ansiedade;
  4. O respeito a rituais do portador de TOC pode interferir na dinâmica da família inteira. Por isso, é importante estabelecer o diagnóstico de certeza e encaminhar a pessoa para tratamento. Ou seja, a família NÃO deve mudar a sua rotina em função do TOC!
  5. Esconder os sintomas por vergonha ou insegurança é compreensível, é um péssimo caminho. Quanto mais se adia o tratamento, mais grave fica a doença e maior o sofrimento para o paciente e para sua família!