Dependência Química

Dependência

Comportamento dependente (adicto)

Antes de falar sobre substâncias quimicamente viciantes, é preciso entender o que é o vício. O ser humano por natureza tem o seu cérebro programado para buscar prazer, seja ele na alimentação, no sexo, ou no afeto alheiro. Quando a pessoa não consegue se saciar com os pequenos prazeres da vida e busca compulsivamente o mesmo prazer sem conseguir enxergar outros campos sociais, considera-se que o indivíduo está dependente.

Inclui nesse comportamento dependente o uso constante de smartphone, uso de internet, busca insaciável por sexo, jogar patológico, fuga no trabalho, fuga na academia, e todos os outros comportamentos compulsivos que comprometem no cotidiano do indivíduo.

Dependência alcoólica e química

Dependência química nada mais é do que o comportamento dependente agravado pelo poder de vício e pelas consequências geradas pela substância consumida.

A abstinência agrava o sofrimento do indivíduo, assim como a fissura, aumentando a chance de recaída. E o fato de nenhum prazer ser tão gratificante para o cérebro com liberação anormal de dopamina como a droga, faz com que o dependente não consiga mais enxergar outros prazeres além da droga. A facilidade de obter esse prazer automatiza o raciocínio para a busca imediata da substância, virando um ato impulsivo e compulsivo.

Como o organismo cria tolerância ao efeito dessas substâncias, a tendência é uso de doses cada vez maiores para tentar atingir o mesmo nível de prazer sentido inicialmente.

Diagnóstico da Dependência Química

Nem toda pessoa que faz uso de drogas torna-se dependente. Algumas pessoas fazem uso em baixas quantidades e tomam cuidados para evitar prejuízos físicos, psíquicos, sociais e legais devido a esse uso.

Algumas pessoas, por outro lado, acabam apresentando diversos problemas em várias esferas de suas vidas devido ao uso das substâncias, como nas esferas familiares, em relacionamentos, na escola, no trabalho, problemas físicos, financeiros e judiciais. O uso pode ser diário ou esporádico, mas o que determina se há uma dependência é o prejuízo que esse uso causa na vida do indivíduo.

Existem alguns fatores de risco que aumentam o risco de um indivíduo desenvolver dependência química, como por exemplo:

  • idade precoce a uso de álcool e uso de tabaco;
  • baixa qualidade de vida, dificultando o acesso a pequenos prazeres;
  • baixa continência familiar, diminuindo a tolerância a frustrações;
  • ambiente com oferta de drogas;
  • genética.

Tratamento

O tratamento a Dependência se divide em 3 etapas:

  1. Tratamento da abstinência. A abstinência é uma doença clínica, na qual o indivíduo sofre diversos sintomas físicos e psíquicos devido a falta da substância, podendo chegar a morte. O tratamento sempre deverá ser realizado em ambiente seguro, de preferência internado, em uso de Benzodiazepínico. Essa etapa dura de 5 a 30dias.
  2. Tratamento da comorbidade. Em 90% dos casos o paciente desenvolve algum transtorno psiquiátrico secundário ao uso de substâncias como depressão, ansiedade, psicose ou pânico. Enquanto não for medicado para cada comorbidade, o indivíduo terá grandes chances de recair devido ao sofrimento gerado por essas comorbidades.
  3. Tratamento a Dependência Química. O tratamento para dependência depende 70% da vontade do indivíduo e para melhorar a conscientização, utilizamos da entrevista motivacional e psicoterapia. Grupos anônimos também ajudam na motivação para manter-se abstêmio. Os outros 30% depende dos fatores sociais que possibilite a busca por prazer em outros campos que não a droga, incluindo família estruturada e em tratamento, emprego, amigos saudáveis, espiritualidade, entre outros.

Não há nenhuma medicação que faz o paciente parar de usar. O máximo que a medicação pode fazer é tratar os itens 1 e 2, diminuir um pouco a fissura e a vontade de usar, e diminuir a impulsividade e a compulsão.

 

Dicas para a família de dependente:

  1. Não ajude o paciente a esconder a dependência à sociedade. Isso só prorroga o início do tratamento.
  2. Não tente controlar o paciente. Não há controle se o paciente não quiser parar. Isso desgasta a relação com o paciente e desgasta a família. Se o caso está grave, procure ajuda com o psiquiatra ao invés de tentar controlar.
  3. Se recair, era para recair. Não é culpa de ninguém. O máximo que poderia ter acontecido é postergar em alguns dias a recaída, mas isso seria prorrogar o reinício do tratamento.
  4. Melhor recair, aprender e seguir o tratamento do que prorrogar a recaída de alguma forma não natural como deixar o paciente trancado em casa.